domingo, fevereiro 03, 2013

Coisa que dói assim












Tem coisa que dói tão profundamente na alma da gente que o coração bate mais devagar, a respiração fica ofegante e o nó da garganta começa a prender o ar que faz falta para os olhos que lacrimejam salgados, que se irritam com as lentes de contato, que olham profundamente para o nada dos seus olhos e não reagem a não ser com mais lagrimas que não param de salgar. E a dor pode ser tão forte que apaga as palavras da boca e começam a impedir Is pensamentos de pensarem. Daí, basta uma TV, um calmante e outra noite que o sono não trata de curar. Tudo forte e dolorido assim devia deixar de existir, mas não deixa. Devia largar mão de mim, mas não larga. Devia ser coisa de perdoar, mas não é.

quinta-feira, março 08, 2012

Falar, enfim, do fim, é dolorido.

Por mais que nos preparemos para um fim, para o encerramento de uma etapa, me parece que nunca estamos preparados para a morte.

A morte, como imaginamos antes, é a ausência completa e findada de alguém, de alguma coisa. Mas mesmo que nos imaginemos em prantos olhando para aquele canto vazio, não estamos preparados. Porque o canto fica realmente vazio, mas o coração não. E cada detalhe da casa nos faz lembrar aquele que deu-se por fim conosco. Cada foto, cada palavra que costumava dizer, cada enfeite, cada letra já tremida numa agenda velha que não temos coragem de jogar fora.

Costumamos dizer que foi para um lugar melhor. Que não era mais pra acontecer. Dizemos repetidamente frases consoladoras que não nos servem depois. Porque a morte parece ficar ali, impregnada no corpo. O que acabou realmente não tem fim. É muito mais forte que acabar. É prevalecer na memória de uma maneira que, sim, como imaginamos, nos vem em pranto e por ora, em silêncio. É todo um adaptar-se de novo, como que se começássemos a viver de novo. E começar de novo com canto vazio dá nó na garganta. É porque cabe muita coisa no nosso coração. Cabe a raiva, cabe a saudade, cabe a ausência, a falta, o amor, o desejo e cabe também a imortalidade que reduzimos a objetos, músicas ou flores. Rosas vermelhas mal brotam, as rosas rosas tem espinhos e as amarelas não machucam. São as mais bonitas. Depois murcham e morrem.

As coisas e pessoas são feitas para acabar. As histórias também. Até os girassóis tem seu fim.

quinta-feira, setembro 29, 2011

Tem que ser mais


Então tem que ser mais, né? É.

Tem que ser ascendente. Tem que ser extenso, mais importante, mais marcante, mais um pouco e um pouquinho ainda mais do que isso. Tem que ser maior. Tem que ser imensurável, glorioso, tangente e tangível. Intenso.

Tem que ser mais que providencial. Tem que ser improcedente.

Tem que ter mais sede, mais fome, tem que ter buraco sem fundo. Tem que ser claro, iluminado, inegável de fechar os olhos e amar almejar mais, regozijar, pleitear, in-saciar.

Tem que voar, tem que ter céu, tem que ser alto. Não pode ser caixa. Não pode ser gaiola. Não pode sufocar alma ou águia. Tem que brilhar enquanto plaina. Tem que ser leve, dócil e doce. Tem que ser gostoso.

É que tem que ser a mais, um tanto, tanto de muito. Tem que ser quase tudo.

Porque tem que ser de extrema exatidão do tamanho que não se sabe que pode expandir pra caber de dentro. Pra fora.

Tem que ter tampa, tem que ter ouvido, tem que aquecer, que resfriar, que espirrar, que provocar, que desejar, que aprofundar, imaginar, sentir e partir.

Tem que ser muito mais.

sábado, agosto 13, 2011

Enquanto a gente corre


É que, enquanto a gente corre, não é possível ver os pássaros. Enquanto nos colocamos como personagens da vida sem tempo, não admiramos a lua cheia amarela e escandalosa acima de nossas cabeças doloridas. São as agruras dos tempos sem tempo, dos dias que acabam antes de ter-se tempo de fazer tudo que julgava-se ter a fazer. Enquanto a gente se entrega ao ritmo interrupto de não poder controlar as ações que nos guiam, não temos trégua para receber um abraço de mão estendidas. Nos encontramos, pois então, nos apertos de mão, nos protocolos que nos dizem que não, não há tempo. Não dá para visitar o avô adoentado. Não é permitido dormir até mais tarde (o mais tarde sem horário, diga-se), não podemos admirar o sol quente que tanto incomoda nossas cabeças. Nem mesmo vivemos a temporada de estar conosco mesmo, a sós, como dizem as psicólogas da vida (nossas avós, mães, amigos, desconhecidos, livros e até mesmo as próprias psicólogas), com o nosso EU. Aquele, que sempre dizemos que somos, mas não necessariamente estamos. Enquanto a gente corre, não podemos admirar uma plantação de girassóis. Nem mesmo observar o olhar admirado dos nossos filhos, afinal, estamos com pressa.

É porque quando a gente corre, apressados pelos horários impostos por nós mesmos, com urgência da constância de fazer, deixamos um pouco de ser. É como se sobrevivêssemos à vida, ao invés de vivê-la de fato.

O metrô continua passando de minutos em minutos, o trânsito continua cheio de carros e businas, o trabalho é o mesmo, sempre com listas de pendências e ar condicionado cheio de sujeira. Os impostos sempre serão cobrados, as filas dos bancos continuam existindo, a comida esfria, a saudade da avó não desaparece. As contas continuam chegando, as nossas caixas de e-mail pipocam de spams e outros slides encaminhados. O armário continua torto, a unha do pé continua encravada.

A gente corre, meio que sem saber o porquê. A gente correio feito barata tonta enquanto p mundo... Ah, o mundo não para enquanto corremos. Assim como não para quando a gente para de correr e começamos observar. A nossa correria não faz com que o Planeta Terra produza mais água. Não impede os acidentes ferroviários com vítimas fatais. E nem mesmo equilibra as alterações da bolsa de valores da China.

Então, paremos um pouco. Correr é cansativo. Não é providencial. É circunstância do nosso entendimento do que a vida nos proporciona. O convite é caminhar até um certo lugar de cada um onde escolheremos parar, sentar e admirar. Se fosse possível parar definitivamente, diria: PARE. Porque enquanto a gente corre, a vida continua acontecendo no mesmo ritmo, que independe de tudo.

É que quando a gente corre, a vida continua dançando à nossa volta. Nós é que entramos em descompasso.

sexta-feira, abril 22, 2011

Gravata Borboleta

Será que vivo sem isso? Será que eu consigo viver sem este tipo de água pra respirar? Será que a minha vida se sobressairia sem a agitação e turbulência dos gritos e o estado grogue de cansaço extremo? Seria diferente? Ou eu é que sou assim, exatamente assim? Porque o que me parece agora é que tudo que eu quero é paz. Ela não está no dinheiro, eu sei. Está no sucesso ou na minha independência de ser eu? Está nas minas páginas impressas da minha gaveta? No meu verbo FUI impregnado de ESTOU em mim? Deveria já ter ido? E, se sim, para onde? Se não, como? Estes momentos tem me vindo a tona sempre, como se fosse um chamado a reagir a minha falsa serenidade diante deste todo pesado que me dói os ombros. Dói como toneladas de ar puro que só carrego e não inspiro. Dói como minha Alice presa numa caixeta de papelão, sem janelas. Medo? Fuga? Momento, euforia, graça, sublimidade, corpo, fora, dentro, ou minha posição dilacerante e retrógada de comodidade?
Peace, where is this place inside myself?

sábado, janeiro 22, 2011

Desejos

Arco Iris, girassóis, grama verde, piquenique, toalha xadrez, água fresca, árvores, plantas, flores coloridas, banquinho, sol, nuvens de imaginar formatos, vinho, água de côco, cachorro, esquilos, borboletas, passarinhos, fotografias, música, ar de respirar gostoso, gargalhadas, rede, livros, tempo, olhos fechados, pensamentos em devaneios, chorar de rir lágrimas sem compostura, memórias, registros, livros, papel e lápis na mão, perfumes, sabores, liberdade.

17/10/2011




quarta-feira, setembro 01, 2010

Emenda

Uma pessoa
Emenda
Outra

Entrega absoluta
Súbita
Total
De certo e de incerto

Se a vida é feita de encontros, embora haja tantos desencontros, encontremo-nos. Reencontro. Se a vida tem cheiro, que seja de pele macia, de doce, de chamego de conchinha.

Faz parte da emenda
O beijo suave
O seco
O abraço abraçado
Dado
Encontrado

Quando há o encontro das almas inevitáveis, daquelas que nascem para o tranco... Ah... É isso que conheço como amor. Tem liga. Tem volúpia, tem sintomas de saudade, tem vontade, tem desejo de ser junto, mesmo sendo um + um = um. E há de vibrar a sorte destes que encontram a tampa da laranja, coisa rara de se ver. Não são príncipes nem princesas. São dois.

Corpo
Corpo
Contíguo
Elusivo de começo e fim
Um que torna outro e outro que torna um

Uma bandeja na mesa de centro da sala, um criado mudo, um lado da cama, um vinho nunca tomado, chocolates argentinos, meias, roupas jogadas ao lado da cama, suor, fotografia em P&B, flores, girassóis e um beija-flor. Um canto de amasso, poses e cenas, viagens, filmes, momentos, placas, paradas, cachoeiras, histórias, lutas, cosquinha, Cristo Redentor, samba, forró e bolero. É um todo de acontecer que só acontece junto. É uma praia do sono, uma caminhada, conchinhas, cerveja de mel, uma rede Antonieta, um sirigueijo, um show que foi perdido, um presente, uma surpresa e um anel.

Quando uma só quer
É torrente de tentar e não alcançar
Como querer gritar e não ter voz
Ou tentar correr e não sair do lugar
É de dor temível a qualquer bicho papão
É forte como uma faca que rasga o peito
É luta sem causa, é sofreguidão sem apego
E final sem fim...

Agora
Do contrário, do inverso, de quando é vice e é versa...

É quando uma pessoa
Emenda
A outra. Na outra. São outra. São duas, mas querem ser duas juntas.
E se duas querem
Emendam
Entregam
Juram
Pelo bom e pelo ruim
Serão sempre
Terão sempre
Emenda
Liga
E Anel.

É por isso que a vida copia a arte. E é por isso que “Era uma vez...” e “Viveram felizes para sempre.” contam histórias de princesas e príncipes irreais. Porque, de tão raro que é, vira quase inacreditável existir. Mas a princesa escolhe o príncipe e o príncipe escolhe a princesa. Todos os dias. Elem juram, pelo bom e pelo ruim, serão sempre, terão sempre, emenda, liga, e Anel.

Uma pessoa
Emenda
Outra

Então...
Emenda comigo?