quarta-feira, setembro 26, 2007

TRAQUE

- Mãe, posso comprar bombinhas na Sônia?
- Que bombinha?
- É que eu quero jogar o “traque” no avião e...
- Peraí, menino! Explica melhor. Você quer jogar o “prato” no “chão”?
- Não! Eu quero fazer assim, ó, jogar um avião de papel e jogar o “traque” nele pra explodir...
- Que que isso? Você quer comprar um “prato” na Sônia e explodir ele no “chão”? E o avião? Onde entra na história?
- Mãe! Presta atenção: Não é “prato”, é “traque”, bombinha, dãaaaa...
- Que tipo de bombinha?
- Chama TRAQUE, mãe!
- E é de explodir no chão ou tem que usar fósforo?
- Ai... Você não vai deixar...
- Como que escreve?
- TRAQUE...

(internet, google, TRAQUE, wikipedia e TRAQUE)

- “Traque é o nome popular de um tipo de explosivo acústico, isto é, destina-se somente a fazer barulho. O traque consiste de um palito de madeira, um pouco mais grosso que um palito de fósforo. (...) Para detonar o traque, basta que o estopim seja aceso por um agente incendiário. O fogo, ao incendiar o papel, dispara a pólvora, provocando um estampido e um clarão. Apesar de ser considerado relativamente inofensivo, o traque pode causar acidentes, visto que, com a explosão, o palito pode voar a uma distância de até 5m, às vezes em chamas”.
- ...
- A resposta é NÃO.

(birra, gritos, palavrões – é, época de palavrões, o que fazer?)

Desliguei o telefone e continuei pesquisando. Achei vários bloques e sites com depoimentos sensíveis de adultos falando da sua velha infância, de quando soltavam TRAQUE escondido da mãe (porque o pai e o avô deixavam, mas diziam para não contar), daquela casa grande cheia de portas e janelas, carrinhos de rolimã, pé de manga, escola e coisa e tal...

Não que eu deva deixar meu menino de oito anos riscar fósforos e explodir bombas por aí, não. Mas, no meu tempo, ainda havia resquícios de liberdade, não tinha celular que tirava foto nem chips implantados nas cabeças de crianças... Eu conseguia matar aula na esquina, andar sozinha na rua...

Não é pura nostalgia, eu juro! Eu sei que o agora será os bons velhos tempos de outrora no futuro. Eu sei que sempre dirão que “na minha época era diferente” e tal. Mas é inevitável não pensar assim.

Coitado do meu menino... Só queria que ele pudesse fazer mais coisas escondidas... Mas ele deve fazer, não deve?

8 comentários:

  1. minha amiga,

    soltar traque no avião é super legal, faz lembrar o grande osama. não fique abespinhada, pois eu e o gabriel vamos soltar um peidão no mac.......

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  2. Daniel01:29

    Quando muleque, eu adora essas bombinhas. Na escola, quando os outros muleques estavam distraídas, gostava de assustá-las, jogando rente aos seus pés.
    É lagal lembra da infância... É a melhor época de uma pessoa.

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  3. Daniel00:34

    Tem uma coisa pra você lá no O Arroto.

    www.oarroto.myblog.com.br

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  4. Daniel18:09

    O selo do Blog Solidário é dado aqueles que se destacaram em algo que possa ser considerado "solidário". Como teu blog tem uma linguagem inteligente, você é solidária, pois faz com que caras como eu tenham uma leitura de alto nível. Vai lá no O Arroto, e cola o selo e coloca aqui.

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  5. po eu so criaça
    compro todu dia 3 caixas de traques e muito masa
    eu gosto de pega e fazer um canam de traque mas eu nuca testei o do aviao

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  6. Que saudade.
    Eu conheci um traque ("de velha") que era uma fita de papel, (mais ou menos o dobro de uma serpentina), e que, num dos lados tinha borrões de polvora na forma de metade de um botão, colocados efileirados numa a dois dedos do outro.
    Rasgava-se um pedacinho e com raspava-se o botão de polvora na parede ou no chão e o soltavamos.
    Ele ficava dando pequenos estalos durante uns trinta segundos.
    Isso tem 60 anos....nunca mais vi....

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  7. Anônimo19:44

    Hoje eu conheci o traque dia 19/06/2010.
    Foi muito legal e ainda por cima tava tendo uma festa eu acendia esperava um pouquinho porque o traque demora a estourar e jogava para cima teve criança que chorou e ninguém sabia que era eu

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