Hoje eu acordei com vontade de chorar e dor de cabeça. Ontem foi um dia muito difícil. Aliás, os últimos tempos – diga-se – meses ou anos, tem sido difíceis. Tem passado rápido e tem sido um tempo de aprendizado. Do tipo linha dura, com “sim senhor, comandante”. Este tempo meu é dolorido e prazeroso. É de raiva e de gratidão. É tempo de tratar de cuidar de projetos, sonhos... E ver como é penoso e gostoso transformar, pouco a pouco, sonho em realidade. É tempo de re-re-re-pensar e pensar mais e fritar os miolos pensando o que quero ser da vida, que rumo devo tomar. Tempos de susto. De filho que cresce sem parar, de gastos com filho, shopping de filho, passeios de filho, filho. É cuidar de filho e tentar entender até que ponto ele é criança e quando é que começa a ser aborrecentezinho. É cuidar das palavras, é voltar a ler, é cuidar do coração, das feridas dele, do pulsar quente e rubro dele. É tempo de ter inspiração pra escrever meu livro, pra imaginar-me sentada na cadeira do Jô tomando água de côco naquela enooooorme xícara dele. É um tempo de muito amadurecimento, de olhar várias vezes no espelho pra reconhecer a imagem que o reflexo me mete na cara. E dar de cara com ele: “e aí? pq que tu ta nessa?”.
Hoje, depois de ontem, um dia de decisão após o outro. Dormi rangendo os dentes. Acordei com os olhos vermelhos. Ressaca de sono, me disseram. Preciso aprender a dormir. Relaxar. Preciso aprender a não me sentir sufocada dentro da minha casa, perto da minha família. Preciso deixar de temer. Arriscar, como arriscava quando mais nova. Sentir-me jovem, em todos os sentidos. Jovem o suficiente pra usar máscara para rugas assim como uso protetor solar todos os dias. Jovem o suficiente pra aceitar um novo amor, abrir a porta do coração e deixar entrar. Tirar barreiras: baixo, alto, gordo, magro, rico, pobre, inteligente, burro, chato, grudento, bonito, feio, lerdo, distante... Deixar vir sem receios, mas com cuidado.
Hoje acordei com o alívio de chorar. E chorei muito. Ontem, hoje. Ainda tenho que chorar mais um bocado, ir à Vera, voltar a correr todos os dias, fumar menos... Tempo de aprender a cuidar da saúde do corpo e da saúde da alma. Tempo de pensar em Deus e seus propósitos.
Hoje acordei com um pensamento muito válido: Se isso tudo não for meu dramalhão mexicano e minhas somatizações e dramatizações... Ele deve ter um grandessíssimo PROPÓSITO pra minha vida. Talvez descobrir, aos 35 anos, que quero é pegar um barco numa ONG e sair por aí num enorme mar azul socorrendo vítimas de naufrágios. Ou descubrir que quero mesmo é trabalhar numa multinacional numa filial em Dubai, ou que quero fazer jornalismo e viver a insanidade de uma redação de um jornal diário matutino, ou que quero ser atriz e fazer Morte e Vida Severina como Marília Pêra. Ou, enfim, entender que quero mesmo é ser escritora e depender da minha inspiração e não de um cartão de ponto pra funcionar. Talvez ainda não tenha maturidade pra isso... Mas Ele sabe. E tem um grande plano. Isso eu sei.
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