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sábado, março 28, 2009

ser gente grande pra poder chorar...


eu juro, filho, eu juro! mesmo sabendo que não é a solução, se eu pudesse, te colocava dentro de uma caixinha colorida do mundo encantado de nárnia onde só coubesse o que lhe faz bem.
eu juro.

eu não posso te criar num mundo perfeito porque não existe mundo perfeito e, se existisse, não existiria gente. eu não posso te carregar com uma cápsula blindada anti-furto e anti-ruídos. eu não posso apertar nas mãos a sua inocência porque você vai crescer e encarar a vida como ela é. e não posso nem mesmo te pegar no colo pra sempre e te fazer a massagem de acalmar coração porque você ainda vai ver muita coisa por este mundão afora e vai perceber que a massagem no coração era mero efeito placebo de sua mãe. porque ela não acaba com o narco-tráfico, com a prostituição infantil, com os tiroteios, tufões, dragões, monstros, crianças desnutridas, fome, miséria, maldade, vida.
eu juro que eu queria, filho. queria te voltar pra dentro de mim e te guardar bem quentinho onde o que podia te assustar era tão somente uma luz na sala de parto que arrebantava com um chorinho gostoso.
mas de nada adianta. começaríamos tudo de novo.
só posso, filho, estar por perto e entender que a vida pode nos ser assustadora. e maravilhosa também.